Cooperativas

Protagonismo feminino fortalece o cooperativismo e transforma realidades em Alagoas

Encontro reúne mulheres de diversas regiões do estado para troca de experiências, fortalecimento de redes e ampliação de oportunidades no mercado

Por Lucas França com Tribuna Hoje 25/03/2026 13h11 - Atualizado em 25/03/2026 14h33
Protagonismo feminino fortalece o cooperativismo e transforma realidades em Alagoas
Evento valoriza o papel das mulheres no desenvolvimento das cooperativas e a importância de que elas ocupem mais espaços estratégicos de decisão - Foto: Sandro Lima

Um encontro dedicado ao protagonismo feminino no cooperativismo reuniu mulheres de diferentes regiões de Alagoas em uma programação marcada por diálogo, aprendizado e articulação coletiva. O evento aconteceu nesta quarta-feira (25) em um hotel no bairro de Pajuçara, na parte baixa de Maceió, e promoveu debates sobre o papel das mulheres no desenvolvimento econômico e social, além de incentivar a construção de redes de apoio e a valorização dos saberes locais. A iniciativa é uma das ações promovidas pelo Comitê Elas pelo Coop AL, coordenado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Alagoas (Sescoop/AL) que destacou a importância da união entre mulheres que atuam em cooperativas, especialmente no setor do artesanato, como forma de ampliar oportunidades e fortalecer a presença feminina no mercado. 

Kelly Rodrigues, coordenadora de Desenvolvimento de Cooperativas do Sescoop/AL e responsável por coordenar o Comitê Elas pelo Coop do estado, a ideia é proporcionar um dia de reflexões, construção de estratégias e fortalecimento da liderança feminina no setor ressaltou que eventos como esses ajudam a romper barreiras históricas e ampliam o reconhecimento do trabalho feminino. “Hoje, apenas 28% das mulheres estão em cargos de liderança nas cooperativas em Alagoas. Quando a gente compara com o número da população, isso não se reflete é baixo já que a população feminia é maior que a masculina em nosso país. As mulheres já são maioria em vários setores como colaboradoras, mas ainda não ocupam esses espaços de decisão na mesma proporção”, destacou.

Segundo ela, o encontro surge justamente como uma resposta a esse cenário, promovendo não apenas reflexões, mas também ações concretas para mudança. “Esse encontro faz parte de uma estratégia de valorização das mulheres nas lideranças das nossas cooperativas. A gente trabalha com um calendário de ações voltado para equidade, diversidade e inclusão, e esse evento é um desses momentos”, explicou.

Kelly Rodrigues, coordenadora de Desenvolvimento de Cooperativas do Sescoop/AL e responsável por coordenar o Comitê Elas pelo Coop do estado (Foto: Sandro Lima)



Kelly  também destacou que o avanço do cooperativismo precisa caminhar junto com a ampliação da participação feminina. “Quando as cooperativas crescem, elas estruturam a comunidade como um todo. E equilibrar esse crescimento com a presença das mulheres é essencial, porque a gente traz um olhar diferente, mais colaborativo e sensível às necessidades do coletivo”, afirmou.

Durante o evento, também foi ressaltado o papel das políticas de incentivo e da organização social para garantir que mais mulheres tenham acesso ao cooperativismo. Nesse contexto, o superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado de Alagoas (Sescoop/AL), Adalberon Sá Júnior reforçou a importância de iniciativas que promovam inclusão e valorização feminina. “Eventos como esse são fundamentais para dar visibilidade ao protagonismo das mulheres e fortalecer o cooperativismo no nosso estado. Quando elas se organizam, compartilham experiências e ocupam esses espaços, há um avanço significativo não só econômico, mas também social”.

Sá também chamou atenção para o potencial transformador do cooperativismo quando aliado à participação ativa das mulheres. “O cooperativismo tem essa característica de promover desenvolvimento de forma coletiva. E quando as mulheres estão inseridas nesse processo, a gente percebe resultados ainda mais consistentes, porque há um fortalecimento das relações, da gestão e do compromisso com a comunidade”, completou.

Superintendente do Sescoop/AL, Adalberon Sá Júnior reforçou a importância de iniciativas que promovam inclusão e valorização feminina (Foto: Sandro Lima)


Para Wendy Sherry, da Cooperativa de Artesanato da Barra Nova (Cooperartban), o evento possibilita a troca de experiências e de saberes. “Além de nós nos conhecermos, que já é algo muito importante, esse evento possibilita a troca de experiências, de saberes e de informações. A gente passa a conhecer melhor o trabalho uma da outra e também consegue acessar serviços que muitas vezes não sabíamos que estavam tão próximos. Os painéis vem justamente para que a gente consiga se estruturar melhor no mercado, entender nossas potencialidades e fazer com que outras pessoas também tenham acesso aos nossos serviços. Isso fortalece não só cada mulher individualmente, mas o grupo como um todo”, acrescentou a cooperada da Cooperativa de Artesanato da Barra Nova (Cooperartban).

Wendy enfatizou que o crescimento das cooperativas tem reflexos diretos nas comunidades onde estão inseridas, promovendo desenvolvimento coletivo e inclusão social.“A cooperativa existe para fortalecer a comunidade onde ela está inserida. Não é só sobre gerar renda, é sobre criar oportunidades, melhorar a realidade local e dar mais dignidade às pessoas que fazem parte daquele grupo”, explicou.

Wendy Sherry, da Cooperativa de Artesanato da Barra Nova (Cooperartban) (Foto: Sandro Lima)



Encontro busca ampliar participação feminina e fortalecer protagonismo no setor

De acordo com a organização do evento, a programação foi pensada para inspirar e orientar novas lideranças femininas. Durante os painéis, mulheres que já ocupam cargos de gestão compartilharam suas trajetórias, desafios e conquistas dentro do cooperativismo. “A ideia é oportunizar que mais mulheres cheguem aos cargos de liderança. Quando a gente traz mulheres que estão na gestão, na governança, falando das suas experiências, elas inspiram outras. Mas a gente também discute estratégias concretas, como foi esse caminho e como podemos construir um futuro com mais mulheres nesses espaços”, afirmou Kelly.

Entre as convidadas, estão lideranças de cooperativas como Unimed Maceió, Uniodonto Arapiraca, Cooperal e Coopomaris, que apresentam suas experiências à frente das instituições. O objetivo é mostrar, na prática, como essas trajetórias foram construídas e de que forma podem servir de referência para outras mulheres. Além da palestra de Giselle Gomes, CEO da Parônima e especialista em “Culturas Inclusivas, Equidade e Diversidade nas Organizações”, a programação contou com painéis temáticos, além de um desfile com peças da Cooperativa de Artesanato da Barra Nova (Cooperartban) e da Cooperativa ART-Ilha, que une mulheres por meio do bordado na Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar (AL). As duas ganharam destaque nacional com peças em catálogos de moda do país.

Kelly Rodrigues reforçou ainda que o desafio não é apenas ampliar números, mas transformar a cultura organizacional dentro do cooperativismo. “Ainda é um ambiente onde muitos homens se sentem naturalmente destinados a esses cargos. E o que a gente quer mostrar é que esses espaços também são das mulheres — mulheres negras, jovens, com deficiência. A liderança precisa refletir a diversidade da sociedade”, pontuou.

Entre as convidadas, estão lideranças de cooperativas como Unimed Maceió, Uniodonto Arapiraca, Cooperal e Coopomaris, que apresentam suas experiências à frente das instituições (Foto: Sandro Lima)



Para ela, investir em capacitação e dar visibilidade a exemplos de sucesso são passos fundamentais para essa transformação. “A gente abre esse espaço, promove formação, mas também valoriza quem já chegou lá. Quando essas mulheres mostram suas trajetórias, elas dizem para outras: ‘é possível’. E isso faz toda a diferença”, concluiu

Além disso, o evento também aborda temas contemporâneos, como liderança jovem e conflitos geracionais dentro das cooperativas. ''A proposta é discutir como integrar diferentes perfis e idades na gestão, gerando valor e inovação para o setor. É importante entender como alinhar diferentes gerações dentro das cooperativas, como uma liderança mais madura pode dialogar com uma liderança jovem e como isso fortalece a gestão”, finalizou kelly.

Objetivo é mostrar, na prática, como essas trajetórias foram construídas e de que forma podem servir de referência para outras mulheres (Foto: Sandro Lima)